Melz Assessoria de imprensa

[05/09/2011] Mais de 90% das empresas brasileiras são familiares
05/09/2011

Segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), 90% das empresas brasileiras são familiares. Muitas surgiram na década de 50 e estão enfrentando a transição para a segunda ou a terceira geração. O número mais alarmante da pesquisa mostra que apenas 30% delas passam por este segundo comando. Estes foram alguns números apresentados na noite de ontem (31 de agosto) aos cerca de 50 participantes da palestra sobre sucessão familiar de Cláudio Antônio Pinheiro Machado, pesquisador da FIA, Escola de Administração da Universidade de São Paulo (USP). O evento foi uma realização da SBA Associados em parceria com a Câmara Brasil-Alemanha.

Cláudio destacou em sua apresentação que as empresas familiares têm uma série de boas características. “O comprometimento e a dedicação é um deles. Ou alguém já calculou o quanto teria que se pago em hora-extra para empreendedores que foram responsáveis pela criação de grandes marcas?”, brincou. Outros diferenciais são a agilidade no processo de decisão e a visão e cultura da empresa compartilhados entre os envolvidos.

No entanto, alguns dos riscos são: a disputa pelos recursos, o crescimento familiar e da organização e a fusão entre pessoas física e jurídica, especialmente no que tange a área de finanças. “Ter claro o que é da empresa e o que é da família é um princípio básico do sucesso de uma empresa familiar”, apontou Cláudio. Outro problema é que muitas vezes, o herdeiro recebe não só um patrimônio, mas os sócios dele também.

Fundações de uma sucessão
Para que um sucessor assuma os negócios da família, alguns pontos são fundamentais, segundo o pesquisador. Uma das coisas importantes para Cláudio, é que este sucessor conheça as etapas vividas pelos antepassados que fizeram o sucesso da organização. “Mais do que isso, que ele reconheça que, por mais que tenha estudado e esteja cheio de inovações para implementar, o que os que estão no comando naquele momento fizeram foi fundamental”, esclareceu.

Outra coisa muito importante é que a sucessão não seja um tabu. “É preciso diálogo, entendimento. Passar o bastão para uma próxima geração é transmitir poder. E isso exige uma transparência muito grande e um equilíbrio bastante complicado entre razão e emoção”, complementou Cláudio.

Os caminhos
Uma empresa nasce, geralmente, de uma baixa complexidade. “Geralmente o dono da empresa exerce um grande número de funções”, explicou Cláudio. Com o crescimento da organização, ela ganha complexidade. Passam a existir cargos gerenciais e surge a necessidade de indicadores para que a diretoria possa acompanhar os resultados da empresa.

E aí está um grande mito. “Muita gente acha que a profissionalização da empresa exclui os membros da família. Na verdade, ninguém impede que seja um familiar um gerente ou um diretor. O que ele precisa é ter as mesmas qualificações exigidas dos outros gestores e ser cobrado da mesma forma”, finalizou o professor. “Sua única vantagem é que, em alguns casos, é mais fácil ter a confiança da diretoria”.