Melz Assessoria de imprensa

[26/05/2011] Evento sobre falta de talentos aconteceu ontem no Senai Blumenau
26/05/2011

O auditório do Senai Blumenau ficou lotado no primeiro dia da Semana da Indústria, promovida pela instituição. A abertura do evento foi a palestra Apagão de talentos, com o consultor e diretor da SBA Associados, Sidney Bohrer de Aguiar. Com a presença de executivos de diversas empresas locais, o consultor explicou porque existe a falta de mão-de-obra da qual todos faltam. Onde estão, final de contas, os talentos que alavancam os resultados das nossas empresas?

O primeiro cenário analisado pelo consultor foi o econômico. Neste ponto, ele explicou que, como o profissional hoje tem possibilidade de opção – já que há mais vagas – ele pode experimentar alguns empregos e optar pelo que julgar melhor. “As empresas não podem mais errar. Contratar um profissional que não atinja resultados e ainda pagar muito caro por ele não é uma opção plausível”, explicou Sidney.

Outros fatores que fazem parte deste chamado apagão de talentos são os investimentos e incentivos públicos, ou a falta deles. Segundo Sidney, enquanto nos últimos dez anos, quatro universidades chinesas entraram no ranking das melhores do mundo. Nenhuma brasileira consta na listagem.

O cenário tecnológico é outro fator preocupante. Segundo Sidney, a evolução tecnológica está fazendo com que os profissionais com pouca formação formal e muito conhecimento prático se tornarem obsoletos.

O fator relevante para Sidney na falta de mão-de-obra é o empreendedorismo. “Muitos bons profissionais que alavancavam os negócios das empresas estão hoje, abrindo seus negócios. Mais do que isso: muitos estão trabalhando em micro e pequenas empresas que foram fundadas por estes empreendedores”, disse Sidney. Ele apontou que, no Brasil, há mais empreendedores de oportunidade do que de necessidade. “É um país de muita oportunidade. Isso traz inevitavelmente (talvez a maior) dificuldade na captação de mão-de-obra”.

A grande pergunta, para Sidney, é: o que está levando os profissionais a abrirem seus próprios negócios? Porque não ingressam no meu? “Muitos negócios não vão dar certo. Por falta de melhores oportunidades, por má administração. Essas pessoas têm uma vivência riquíssima, que pode e deve ser aproveitada. O verdadeiro empreendedor não se frustra. Ele levanta a cabeça e vai para a próxima. E a próxima pode ser a sua empresa”.

O cenário empresarial e a crise econômica foram fatores que estimularam o empreendedorismo, segundo Sidney. “Os profissionais pensam que, se for para correr o risco de ser demitido, que eu corra o risco no meu próprio negócio”, disse o executivo. Há também, dentro deste cenário corporativo, um descompasso entre a necessidade e a ação. “Muitas empresas acreditam que é apenas o salário, quando é também o salário. Fatores relevantes como modelo de gestão, planejamento de sucessão, modelos de desenvolvimento são pouco utilizados como elementos de retenção de mão-de-obra”.

Um problema com solução
Sidney finalizou a apresentação com algumas sugestões de ações para que os presentes pensem e discutam nas empresas. A primeira delas foi que as instituições representativas dos empresários apresentem propostas de ações concretas de desenvolvimento.

Nas empresas, o consultor propôs uma reavaliação nos modelos de gestão para que sejam não só mais atrativos para os talentos, mas que também tenham um papel efetivo na manutenção deles nas empresas. “Temos que pensar muito em processos de inovação. As pessoas que querem se desenvolver e que são verdadeiros talentos, querem um ambiente estimulante”, disse Sidney.

“A formação técnica é um dos pontos mais relevantes”, afirmou Sidney. “As mudanças e o crescimento passam pela competência técnica dos profissionais. Fala-se muito em competências de gestão, mas não se pode esquecer que o técnico é fundamental”.

Outra sugestão é repensar nas políticas de remuneração. “Temos que pensar seriamente que o salário tem que ser fruto de resultado, não de presença”, destacou. Para isso, outra ação precisa ser o desenvolvimento de instrumentos de medição de resultados dos investimentos feitos em desenvolvimento.