Frustração, um catalisador do sucesso

Por Roberto Vilela, consultor empresarial

Há alguns anos pratico corrida regularmente. Comecei sofrendo para completar num tempo razoável, provas de cinco quilômetros. Hoje eles são básicos. Em meus treinos e venho trabalhando para cumprir maratonas e melhorar meu tempo em corridas de percursos com 21 quilômetros. Pode, para muitos, parecer um caminho fácil que, assim como nos negócios, com um pouco de esforço extra, rende bons resultados.

O que muita gente esquece é que, seja na corrida ou no empreendedorismo, enfrentamos obstáculos capazes de nos fazer cruzar a linha do sucesso ou do fracasso. São situações – que enfrento tanto no esporte quanto na empresa e na consultoria a clientes – que mostram o quão determinados estamos. São o que chamamos de catalisadores:momentos que transformam nossa vida e provocam mudanças fundamentais no percurso que projetamos. A frustração é o principal deles.

Na corrida, o meu catalisador tem sido a opinião crítica e constante do meu filho de 10 anos, que deixa claro não ver razão para uma medalha “se você nem está entre os três primeiros”. A frustração de vê-lo insatisfeito é um grande propulsor que tenho, para fazer mais e melhor. E nada como chegar em casa com o troféu de primeiro colocado e perceber que “agora sim, quero tirar uma foto com você”.

Nos negócios, a crítica e a frustração são dois catalisadores fundamentais. Elas provocam mudanças, mexem com nossos brios e fazem com que busquemos novos resultados. E saber lidar com a frustração, com o desempenho regular, é essencial. Utilizar esse catalizador para mudanças positivas diferencia os empreendedores de sucesso. Eles sabem que a derrota, definitivamente, não é o fim, mas sim uma dose extra para fazer de novo e diferente.

Muitas vezes sou questionado sobre a permanência de um treino, mesmo com chuva. Nem sempre é fácil correr com tempo ruim. O tênis machuca, o terreno fica escorregadio. Mas essa situação é desafiadora e mostra que posso ir além. Se você abaixar a cabeça e adiar a mudança nos negócios em virtude da crise, do resultado ruim do último mês, da situação econômica, quando, afinal, vai ir além?

Roberto Vilela, consultor empresarial. Imagem: Daniel Zimmermann
Roberto Vilela, consultor empresarial. Imagem: Daniel Zimmermann