Marcas Meme Friendly: quem são? Onde estão? Do que se alimentam?

[Beatriz Schnaider Tontini, social media] 

Tudo isso poderia estar no Globo Repórter dessa semana, mas não queremos esperar até sexta-feira.

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Então a sua empresa finalmente chegou lá: é um nome forte no mercado, sinônimo de qualidade e inovação, os clientes amam e as vendas não poderiam estar melhor. É hora de conquistar um novo mundo: a internet. As bandeiras são fincadas em todas as redes sociais. E aí, vale tudo: Facebook, Instagram, Pinterest, Twitter e – por que não? – o Google+. A identidade visual ficou linda, os anúncios estão patrocinados, os likes estão subindo e cadê o conteúdo?
Tem alguns posts sobre os valores da marca, sobre o produto, notícias, e… Saiu um novo meme! Plmrdds, precisamos entrar na onda! #precisamos

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“Okay, precisamos falar sobre o elefante na sala”

O termo “meme” foi criado por Richard Dawkins em 1976 para designar uma informação que se multiplica de cérebro em cérebro ou entre locais onde elas possam ser armazenadas.

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Em 1976 os computadores eram assim.

Exatos 40 anos se passaram e o conceito se aplica, mas não explica esse fenômeno online. O meme que conhecemos hoje pode ser um vídeo, um gif, uma imagem, uma pessoa ou um acontecimento que toma proporções muito maiores do que aquela partícula de informação jogada no oceano da internet. Ela viraliza e se torna uma forma de expressão e diversão, onde comunidades inteiras se erguem em torno deles. Dúvida? Dá uma olhada aqui!

Ok, mas o que isso tem a ver comigo (ou com a minha marca!)? Você deve estar se perguntando se chegou até aqui. Tudo. E nada. Se você embarcou (ou quer embarcar) de cabeça no mundo zoeiro da internet, continue lendo. Se você acha que não, também.

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As redes sociais se baseiam em relacionamento e troca de experiências. Indiferente se você está interagindo com uma pessoa ou uma marca, a expectativa de ser correspondido, de falar a mesma língua e rir das mesmas coisas é imprescindível. É preciso conectividade.

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Literalmente.

O problema começa na hora em que você define o papel que essas redes têm na comunicação da sua empresa. Elas servem somente para passar informação? Ou estão aqui exatamente para criar um relacionamento que somente o seu produto sozinho na prateleira da loja não consegue? A persona que a sua marca se torna na internet define, e muito, se ela vai ser lembrada ou não pelo consumidor. E embarcar na piada do dia, faz sim, com que o consumidor sinta empatia.

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Mas não, fazer rir não torna a sua marca instantaneamente o novo brother do consumidor. Existe contexto, existem valores e existem clientes. Abrir mão de um relacionamento duradouro com aqueles que apoiam e amam a sua empresa só para ser divertido é desperdício. Desperdício de conteúdo e de relacionamento. É pra isso que existe timing e principalmente, o fato de conhecer quem está lendo o que você postou.

Ser uma “marca meme friendly” vai muito além de entender as piadas e dividí-las com o seu público. É incorporar no jeito de ser da marca o bom humor. E tem marca que não nasceu para isso. Seus valores não se encaixam, sua mensagem não é essa. E está tudo bem. Saber se esse é ou não o jeito dela agir na internet é o primeiro passo para acertar. E quem sabe um dia você possa até criar o seu próprio meme.

Depois de decidido se a sua marca, e principalmente seu público, se encaixam nesse nicho, vêm os dilemas do meme. Eles surgem de acontecimentos muito além do seu controle e devem ser bem avaliados antes de sair usando. Aquele meme faz parte do mesmo mundo que o seu seguidor frequenta? Ele vai entender a referência? O retorno é positivo? Se sim, é hora de procurar uma ligação com a sua marca. O que tem de bom no seu produto que você pode deixar implícito ali? Depois disso: o meme ainda faz sentido? Faz? Ufa! Se você conseguiu responder todas essas perguntas, hora de publicar!

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“Eu mandei!”

E aí bate aquele medo: vão gostar? Vão entender? Vai ser um sucesso? E se não for? E se odiarem?

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“Por favor, volte!”

Agora que você acompanhou todas as dores e as felicidades que acontecem antes de um meme ir parar na sua tela, vêm a interação em cima dele, a análise de resultados e a avaliação do que isso significou para a sua empresa. Ninguém nunca disse que memes eram só diversão.

A importância de se integrar a esse mundo vai além dos likes e do buzz. Fazer parte disso demonstra que a sua empresa está acompanhando os novos tempos e levando para dentro dos seus valores a interação e a diversão. É mostrar que a empresa não é um tiozão fazendo piada sem sentido, e sim que ela entende seu consumidor e quer fazer parte do mundo dele. Não estamos mais discutindo com o consumidor se a sua marca é de qualidade, e sim o que ela traz algo a mais do que o produto tangível. E falando a verdade, quem não gosta de ser atendido com bom-humor?

5 dicas para ser meme friendly:

– Conheça o seu público e se ele interage nos mesmos ambientes que o meme fez sucesso. É muito importante que as pessoas entendam as referências e o background dele para que faça sentido e seja engraçado.

– É ofensivo? Não é um meme. Não é legal.

Timing. O meme pode ser lembrado por algum tempo, mas só faz sentindo usá-lo em benefício da marca enquanto ainda é novidade. Não adianta chegar para a festa depois que serviram o bolo e o brigadeiro acabou.

– Não esqueça de interagir! Depois de publicado, monitore os compartilhamentos e os comentários, converse com os seus seguidores sobre o assunto e riam juntos.

– Tente ligar o meme ao mundo da sua empresa. Não adianta só compartilhar com os seus seguidores, tem que ter algo que lembre a sua marca. Se certifique que o seu seguidor está rindo com você, não de você.