Redes sociais: sobre panfleteiros e fórmulas prontas

[Bruno Stolf, que gosta de descobrir marcas legais, mas odeia flyers distribuídos aleatoriamente na rua]

Sabe quando você está caminhando em alguma rua movimentada, no Centro da cidade, e a cada 10 metros alguém estende uma mão na sua direção segurando um panfleto? Na primeira pessoa você aceita e talvez dá uma olhada no que diz. Na segunda pessoa você pega o papel, dobra e coloca no bolso. Na terceira você aceita sem nem olhar para o fulano. Na quarta você não pega o papel e solta um “não, obrigado” mal humorado. Na quinta você já está ignorando todo mundo como se estivesse em uma dimensão paralela.

Situação complicada, né? Já pensou quão mais chata seria se cada um daqueles panfleteiros fosse da mesma loja? Se você já não tivesse alguma relação com a marca – já entrou alguma vez para ver as peças, já comprou algo ou ouviu falar bem de algum amigo – provavelmente criaria um asco instantâneo. Talvez até comentasse com alguém sobre a loja-que-encheu-a-rua-de-panfleteiros.

E se eu te dissesse que uma rede social é quase como se fosse uma rua? E a página da sua empresa fosse uma loja que as pessoas pudessem visitar? E as publicações fossem panfleteiros? Pois então. A analogia não é exata, mas dá uma pequena ideia de por que devemos ter parcimônia e não se deixar levar pela empolgação na hora de gerenciar algo em uma rede social. É claro, nem todas as redes sociais se comportam da mesma forma. Mas há uma máxima que na maioria dos casos ainda é indisputada: conteúdo é rei.


Rei é rei, e o conteúdo, amigos, é um deles

A ideia por trás de ter uma presença digital forte é, obviamente, proporcionar a possibilidade de pessoas conhecerem sua marca e até comprar através dela. E assim como alguém que se prepara para se apresentar de forma apropriada – em uma entrevista de emprego, por exemplo – é preciso mostrar suas qualidades, sem exagerar na autopromoção. Ninguém gosta daquele cara que fala sem parar bem de si mesmo. Por que alguém gostaria de uma empresa que faz a mesma coisa? Além dos vários algoritmos que decidem a relevância de uma publicação na timeline de qualquer rede social, é preciso tentar entender como seus potenciais clientes vão encarar o que você pretende postar. E é necessário compreender que o mesmo se aplica tanto a publicações puramente orgânicas quanto anúncios.

Se uma publicação orgânica, sem direcionamento, é um panfleteiro em uma rua onde passam pessoas com os interesses mais variados, o que seria um anúncio? O anúncio seria o vendedor dos sonhos, se for bem configurado, com um público-alvo bem selecionado e uma verba apropriada. Um anúncio sem estas características seria o bom ruim e velho carro de som, que praticamente força você a ouvir aquela mensagem se repetindo sem parar até ir embora para pentelhar outra vizinhança. Ninguém realmente gosta disso.

Mas então, como alcançar aquele meio termo ideal? Nem todas as empresas podem – e devem – patrocinar absolutamente tudo. Até você enjoaria se Brad Pitt aparecesse todo santo dia na sua porta, vestido apenas de calça jeans, com barba mal feita, recém-solteiro e dissesse “Você me dá 5 minutos? Quero conversar com você sobre a marca dessa calça jeans que estou usando…”. Ok, talvez você não enjoasse. Mas você entendeu o espírito da coisa.

Também não é a melhor das ideias tentar manter a sua marca viva na mente das pessoas apenas com panfleteiros, mesmo que às vezes eles sejam tão galãs quanto o Brad Pitt ou façam piruetas incríveis e cantem com uma voz de Fred Astaire e movam massas – sejamos sinceros, nem sempre conseguimos criar publicações tão boas assim.


Com papo chato, as meninas da Melz garantem que nem Brad Pitt arrancaria um like

Como, então, ter os resultados ideais? Simples: equilíbrio e alguns passos nada óbvios.

1) Não se amarre tanto ao que centenas de sites dizem – e muitas vezes apenas repetem o que outros já disseram: entenda o público que quer alcançar e trabalhe de forma customizada, com um timing que funcione para a sua marca e uma linguagem que seu potencial cliente vai entender e se identificar. Jamais esqueça: não-existem-fórmulas-prontas.


Não adianta copiar!

2) Tente contratar o Brad Pitt. Um anúncio bem feito pode fazer uma diferença muito grande para sua marca. Pegue o que funciona de forma orgânica e una isso com um público bem definido e uma verba correspondente. Brad Pitt não ficaria três dias na rua anunciando sua marca com muito empenho se você oferecesse quinhentos reais para ele. Seu anúncio não vai alcançar muitas pessoas se você não investir de acordo.


Conteúdo bom + investimento certo

3) Cada caso é um caso, mas na dúvida lembre-se do lema do chef Henrique Fogaça: menos é mais. Comece aos poucos, faça testes e prove bem o que está saindo do forno. Se você criar uma página no Facebook para sua empresa amanhã e durante uma semana postar 10 vezes por dia publicações com desempenho ruim, vai ser muito mais difícil convencer as pessoas depois que você também pode ser “legal”. Teste as águas antes de dar um mergulho, senão você pode se afogar.


Menos é mais e rende sorrisos no final

E, por último, a dica mais chata que eu poderia dar: não há um caminho fácil. Não existe uma fórmula pronta. Não existe mágica e ninguém jamais conseguirá prometer e cumprir resultados milagrosos para você. Felizmente, com toda a tecnologia disponível hoje, existem ferramentas que ajudam na jornada. As métricas estão aí, a big data está aí e muitos desses auxílios são gratuitos. Apenas lembre-se: o seu público final é tão humano quanto você. E ninguém gosta de andar por aí com 10 flyers amassados dentro do bolso.

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