Trabalho ou sorte?

Por Roberto Vilela, consultor da Mega Empresarial*

“Mas a crise nem chegou perto da empresa do fulano, ele tem muita sorte.” “Olha só beltrano lá no pódio, esse sim é um cara de sorte”. Se você parar um minuto para pensar, vai perceber que esse tipo de frase está cada vez mais em alta – e elas podem, inclusive, estar vindo de você.

Ter sorte parece que tem se tornado o cartão de apresentação de muita gente, mesmo que não queiram. Continuar vendendo mesmo com recessão econômica, assinar aquele contrato tão esperado, bater e superar as metas estabelecidas. Ao que parece, para boa parte das pessoas, alcançar o sucesso – ou não chegar perto dele – só pode ser explicado por uma série de questões incompreensíveis ligadas, claro, à sorte.

O engraçado é perceber que essa tal sorte, a não ser que a pessoa tenha acertado os números da loteria, sempre tem um quê de superação que nem sempre as pessoas percebem. Conseguir o melhor cargo de gestão dentro da empresa foi casualidade – à revelia de anos de estudo e atualização ou trabalho duro.

Antes de apontar para a sorte que levou alguém ao sucesso, é importante pararmos para analisar todo o cenário que envolve determinada conquista. Não dá para contar com ela na hora de ampliar os negócios, fortalecer a carreira, tentar um novo emprego. Independentemente da área de atuação, basta alguns anos de trabalho para perceber que contar com a sorte é abrir mão de qualquer segurança ou sucesso.

Para muitos, sou um sujeito de sorte. Na corrida, esporte que decidi praticar, consegui alcançar diversas metas que havia planejado. Na carreira, tenho meu próprio negócio e uma carteira de clientes que me permite dizer que alcancei o sucesso. Mas sei que toda essa sorte teve um preço: muito trabalho e dedicação, horas a fio de treino, acompanhamento profissional, escolhas.

Antes de ver a grama verde que se estende para o vizinho, é importante analisar as atitudes que decidimos tomar. A crise econômica chegou para todos, a competitividade de mercado bate na porta de qualquer empresa e profissional. E o que diferencia as carreiras e negócios de sucesso, em raros casos será a sorte. Na maioria das vezes, não é a ocasião que faz o ladrão – ou o empresário bem sucedido – mas como ele decidiu lidar com a situação que dependia de seus esforços. Não é fácil alcançar o sucesso e toda a dedicação, muitas vezes, só dará frutos em longo prazo. Sem trabalho, dedicação e comprometimento, não há sorte que sustente bons resultados.

 

*Roberto Vilela é consultor empresarial e especialista nas áreas de recrutamento de profissionais e estratégias comerciais. Em 2000 fundou, junto com Berenice Cristina Buerger, a Mega Empresarial. Localizada em Blumenau (SC), mas com atuação em todo o Brasil, a consultoria trabalha com headhunter, consultoria comercial, treinamentos vivenciais e palestras. Em muitos dos trabalhos que realiza, alia a paixão pela corrida, que pratica regularmente há mais de seis anos, às lições que a prática traz para os negócios.